Santa Catarina se destaca como um vibrante polo empreendedor do Brasil, com uma renda média 38% superior à média nacional e um ecossistema de negócios mais estruturado. Apesar da predominância masculina e da necessidade de maior inclusão, o estado se mostra promissor, especialmente no setor de serviços. O estudo do Sebrae/SC não apenas revela conquistas, mas também ressalta a importância de políticas que promovam a diversidade e a formalização para um crescimento sustentável.

Santa Catarina consolida-se como um dos principais polos empreendedores do Brasil, apresentando características que distinguem o estado no cenário nacional. Com aproximadamente 1,3 milhão de empreendedores, o que representa 4,3% do total do país, o estado demonstra um ambiente de negócios mais estruturado e dinâmico.

O recente estudo do Observatório de Negócios do Sebrae/SC, baseado na PNAD Contínua do IBGE, revela aspectos fundamentais sobre o perfil empreendedor catarinense que merecem análise detalhada. Os dados evidenciam não apenas os avanços conquistados, mas também os desafios que ainda precisam ser enfrentados para um desenvolvimento empresarial mais inclusivo.

Renda Superior Impulsiona Crescimento

Os empreendedores de Santa Catarina apresentam rendimento médio mensal 38% superior à média nacional, um indicador significativo da robustez do ambiente de negócios no estado. Para aqueles que atuam por conta própria, a renda média alcança R$ 4.194,00 mensais, enquanto os empregadores registram rendimento de R$ 9.672,00.

Essa diferença expressiva reflete não apenas a maior capacidade de geração de renda dos negócios catarinenses, mas também indica um mercado mais aquecido e com maior poder de consumo. A jornada média semanal de 41,5 horas, cerca de três horas a mais que a média brasileira, demonstra o alto nível de dedicação à atividade empreendedora no estado.

Concentração no Setor de Serviços

A distribuição dos empreendedores por setor econômico em Santa Catarina apresenta características particulares. O setor de serviços concentra 42,1% das atividades empreendedoras, seguido pelo comércio com 17,6% e pela agropecuária com 14,7%.

Esta concentração no setor de serviços alinha-se com tendências econômicas modernas e representa oportunidades significativas para diversificação e inovação. O setor terciário oferece maior flexibilidade para adaptação às demandas do mercado e possibilita a criação de soluções personalizadas para diferentes nichos.

A forte presença da agropecuária, ocupando a terceira posição, reflete a vocação histórica do estado e sua importância no agronegócio nacional. Esta diversificação setorial contribui para a estabilidade econômica regional.

Características Demográficas Revelam Desafios

O perfil demográfico dos empreendedores catarinenses apresenta aspectos que merecem reflexão. A predominância masculina é evidente, com 63,4% dos empreendedores sendo homens, enquanto as mulheres representam 36,6%. Apesar da menor participação feminina, o percentual supera a média nacional em 2,3 pontos percentuais.

Em relação à cor da pele, 83,8% se declaram brancos, 13% pardos e apenas 2,5% pretos. Estes dados revelam a baixa participação de pessoas negras no empreendedorismo catarinense, apontando para a necessidade urgente de ampliar políticas de incentivo à inclusão e diversidade no ambiente de negócios.

A faixa etária predominante situa-se entre 40 e 59 anos, representando 44,9% dos empreendedores. Quanto à escolaridade, 39,7% possuem ensino médio e 32,9% ensino superior, indicando um perfil educacional elevado comparado à média nacional.

Formalização Avança, mas Desafios Persistem

Santa Catarina apresenta taxa de informalidade 15 pontos percentuais menor que a média brasileira, um indicador positivo da maturidade do ambiente empreendedor no estado. O estado também registra 6,4 pontos percentuais a mais de empreendedores com ensino superior em relação ao cenário nacional.

Contudo, a informalidade ainda atinge 50,4% dos empreendedores catarinenses, representando um desafio significativo. A formalização é fundamental para garantir acesso a crédito, proteção social, participação em licitações públicas e crescimento sustentável dos negócios.

A importância da formalização transcende aspectos legais, impactando diretamente na capacidade de expansão e na longevidade dos empreendimentos. Empresas formalizadas possuem maior facilidade para estabelecer parcerias comerciais e acessar programas de capacitação e apoio governamental.

Superando Obstáculos e Aproveitando Oportunidades

Os dados revelam tanto avanços quanto desafios no empreendedorismo catarinense. A questão da inclusão e diversidade emerge como prioridade, especialmente considerando a baixa representatividade de pessoas negras e a menor participação feminina.

O Sebrae/SC reconhece a necessidade de fortalecer o ecossistema empreendedor de forma mais inclusiva. Segundo Roberto Füllgraf, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, “os dados confirmam que Santa Catarina possui um ambiente favorável aos negócios, com empreendedores mais qualificados, formalizados e com maior capacidade de geração de renda”.

As iniciativas devem focar na criação de programas específicos para grupos sub-representados, facilitação do acesso ao crédito e capacitação empresarial direcionada. A diversidade no empreendedorismo não apenas promove justiça social, mas também enriquece o ecossistema de negócios com diferentes perspectivas e soluções inovadoras.

O estudo do Sebrae/SC traça um retrato abrangente do empreendedorismo catarinense, destacando conquistas significativas como renda superior, maior formalização e perfil educacional elevado. Simultaneamente, aponta caminhos para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.

O perfil típico do empreendedor catarinense – homem branco, entre 40 e 59 anos, com escolaridade média ou superior, atuante no setor de serviços – deve evoluir para incorporar maior diversidade. Santa Catarina possui condições favoráveis para liderar transformações positivas no cenário empreendedor nacional, desde que políticas efetivas de inclusão sejam implementadas e sustentadas ao longo do tempo.

Referências

https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sp/noticias/estudo-do-sebrae-mostra-o-perfil-do-empreendedor-brasileiro,58e75c419c953610VgnVCM1000004c00210aRCRD