Santa Catarina se destaca como um polo de empreendedorismo, com dados que revelam uma renda média de 38% superior à média nacional. O estado abriga cerca de 1,3 milhão de empreendedores, refletindo um ambiente robusto e diversificado, especialmente no setor de serviços. Apesar dos avanços, desafios como a baixa representatividade racial ainda precisam ser abordados para garantir um ecossistema mais inclusivo e dinâmico.

Santa Catarina se destaca no cenário nacional do empreendedorismo, consolidando-se como um estado com características únicas que favorecem o desenvolvimento de negócios. O levantamento “Perfil do Empreendedor Catarinense”, elaborado pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC com base na PNAD Contínua do IBGE, revela dados surpreendentes sobre a renda dos empreendedores locais, que supera significativamente a média brasileira. Este estudo oferece insights valiosos sobre um ecossistema empreendedor mais estruturado e dinâmico, evidenciando tanto os avanços conquistados quanto os desafios que ainda precisam ser enfrentados.

O estado catarinense abriga aproximadamente 1,3 milhão de empreendedores, representando 4,3% do total nacional. Essa expressiva participação reflete não apenas o volume, mas também a qualidade do empreendedorismo local. A distribuição setorial demonstra uma economia diversificada, com forte concentração no setor de serviços, que absorve 42,1% dos empreendedores catarinenses. O comércio ocupa a segunda posição com 17,6%, seguido pela agropecuária com 14,7%, evidenciando a versatilidade econômica do estado.

Do ponto de vista demográfico, o perfil revela características específicas. Os homens representam 63,4% dos empreendedores, enquanto as mulheres ocupam 36,6% desse segmento, proporção ainda assim superior à média nacional em 2,3 pontos percentuais. A faixa etária predominante situa-se entre 40 e 59 anos, abrangendo 44,9% do total. Quanto à escolaridade, 39,7% possuem ensino médio e 32,9% têm formação superior, indicando um nível educacional elevado entre os empreendedores catarinenses.

O diferencial mais marcante reside na questão da renda, onde Santa Catarina demonstra sua superioridade. O rendimento médio mensal dos empreendedores catarinenses supera em 38% a média nacional, alcançando R$ 4.194,00 para aqueles que trabalham por conta própria e impressionantes R$ 9.672,00 para os empregadores. Essa disparidade positiva reflete não apenas a maior qualificação dos profissionais, mas também um ambiente econômico mais favorável aos negócios. A jornada média semanal de 41,5 horas, aproximadamente três horas superior à média brasileira, demonstra o alto nível de dedicação e comprometimento dos empreendedores locais.

Santa Catarina também se destaca positivamente nos indicadores de formalização e educação. O estado apresenta uma taxa de informalidade 15 pontos percentuais menor que a média brasileira, embora ainda mantenha um nível considerável de 50,4% de empreendedores informais. Em relação à escolaridade, registra 6,4 pontos percentuais a mais de empreendedores com ensino superior comparado ao cenário nacional. Esses dados evidenciam um ambiente mais estruturado, onde os empreendedores têm maior acesso à educação formal e maior consciência sobre a importância da regularização de seus negócios.

Apesar dos números positivos, o levantamento identifica desafios importantes que demandam atenção. A participação de empreendedores negros é significativamente baixa, com apenas 2,5% se declarando pretos e 13% pardos, enquanto 83,8% se identificam como brancos. Essa disparidade racial aponta para a necessidade urgente de ampliar políticas, programas e ações de incentivo à inclusão e diversidade no ambiente empreendedor catarinense. O Sebrae/SC reconhece essa lacuna e trabalha para promover um ecossistema mais inclusivo, desenvolvendo iniciativas específicas para diferentes públicos e fortalecendo o acesso de grupos sub-representados ao empreendedorismo.

Os dados consolidam Santa Catarina como um ambiente favorável aos negócios, caracterizado por empreendedores mais qualificados, formalizados e com superior capacidade de geração de renda. O perfil típico do empreendedor catarinense emerge como um homem branco, entre 40 e 59 anos, com escolaridade média ou superior, atuante no setor de serviços, responsável pelo domicílio e com rendimento médio mensal de R$ 4.194,00. Conforme destaca Roberto Füllgraf, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, esses indicadores confirmam tanto os avanços conquistados quanto os desafios que precisam ser superados para tornar o empreendedorismo ainda mais inclusivo e diversificado.

O futuro do empreendedorismo em Santa Catarina aponta para a consolidação de suas vantagens competitivas, mantendo o foco na qualificação, formalização e geração de renda, enquanto simultaneamente trabalha para ampliar a participação de grupos historicamente menos representados. A continuidade das políticas de apoio aos pequenos negócios, combinada com ações específicas de inclusão, pode posicionar o estado como referência nacional não apenas em indicadores econômicos, mas também em diversidade e inclusão no ambiente empreendedor.

Referências