O empreendedorismo em Santa Catarina se destaca com um ecossistema robusto que abriga cerca de 1,3 milhão de empreendedores, com rendimentos 38% superiores à média nacional. O setor de serviços lidera na distribuição de atividades, refletindo a maturidade econômica do estado. No entanto, desafios como a informalidade e a inclusão racial ainda devem ser enfrentados para garantir um futuro sustentável e equitativo para todos os empresários.

O empreendedorismo em Santa Catarina tem se destacado no cenário nacional, conforme revelam os dados mais recentes do Observatório de Negócios do Sebrae/SC. Com base na PNAD Contínua do IBGE do terceiro trimestre de 2025, o estudo “Perfil do Empreendedor Catarinense” apresenta números que comprovam a força e o dinamismo do ambiente de negócios no estado.

O levantamento mostra que Santa Catarina concentra aproximadamente 1,3 milhão de empreendedores, representando 4,3% do total nacional. Mais impressionante ainda é o fato de que esses empreendedores possuem renda 38% superior à média brasileira, evidenciando um ecossistema empresarial mais estruturado e próspero.

Características demográficas revelam tendências importantes

O perfil demográfico dos empreendedores catarinenses apresenta características específicas que merecem atenção. A maioria é composta por homens, representando 63,4% do total, enquanto as mulheres correspondem a 36,6%. Apesar da diferença, a participação feminina no estado supera a média nacional em 2,3 pontos percentuais, indicando um ambiente mais favorável ao empreendedorismo feminino em Santa Catarina.

Em relação à cor da pele, os dados mostram que 83,8% dos empreendedores se declaram brancos, 13% pardos e apenas 2,5% pretos. Esses números evidenciam a baixa participação de pessoas negras no empreendedorismo catarinense, um desafio que demanda políticas específicas de inclusão e diversidade.

A faixa etária predominante situa-se entre 40 e 59 anos, abrangendo 44,9% dos empreendedores. Quanto à escolaridade, 39,7% possuem ensino médio e 32,9% ensino superior, números que demonstram um nível educacional elevado comparado à média nacional.

Concentração no setor de serviços impulsiona a economia

A distribuição setorial dos empreendedores catarinenses revela uma forte concentração no setor de serviços, que abriga 42,1% das atividades empreendedoras. Essa predominância reflete a evolução da economia local, que tem se diversificado para além dos setores tradicionais.

O comércio ocupa a segunda posição com 17,6% dos empreendedores, seguido pela agropecuária com 14,7%. Essa distribuição demonstra a maturidade do ecossistema empresarial catarinense, que combina inovação em serviços com a manutenção de atividades econômicas consolidadas.

Renda diferenciada coloca Santa Catarina em destaque

Um dos aspectos mais relevantes do estudo é a diferença significativa na renda dos empreendedores catarinenses. O rendimento médio mensal dos que trabalham por conta própria alcança R$ 4.194,00, enquanto os empregadores obtêm R$ 9.672,00 mensais. Esses valores são 38% superiores à média nacional, demonstrando a capacidade de geração de valor dos negócios no estado.

Essa diferença na remuneração pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo o ambiente favorável aos negócios, maior nível de formalização e qualificação dos empreendedores, além da diversificação econômica que caracteriza Santa Catarina.

Dedicação intensiva marca a rotina dos empreendedores

A jornada de trabalho dos empreendedores catarinenses também se diferencia da média brasileira. Com 41,5 horas semanais, eles trabalham cerca de três horas a mais que a média nacional, evidenciando alto nível de dedicação às atividades empresariais.

Essa carga horária mais extensa pode estar relacionada tanto ao maior comprometimento com os resultados quanto às oportunidades de crescimento que o ambiente de negócios local proporciona. A maior dedicação temporal reflete diretamente nos resultados financeiros superiores observados no estado.

Informalidade permanece como desafio

Apesar dos indicadores positivos, Santa Catarina ainda enfrenta desafios significativos. A taxa de informalidade, embora 15 pontos percentuais menor que a média brasileira, ainda atinge 50,4% dos empreendedores. Esse número indica que metade dos negócios do estado opera sem a devida regularização.

A questão da inclusão racial também demanda atenção especial. A baixa participação de pessoas negras no empreendedorismo catarinense, conforme evidenciam os dados demográficos, aponta para a necessidade de políticas mais efetivas de inclusão. Estudos nacionais do Dieese confirmam que empreendedores negros enfrentam maiores dificuldades no acesso a crédito e obtêm menor faturamento, desafios que se refletem também no contexto catarinense.

Ambiente de negócios fortalece o ecossistema empreendedor

Roberto Füllgraf, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, destaca que os dados confirmam que Santa Catarina possui um ambiente favorável aos negócios, com empreendedores mais qualificados, formalizados e com maior capacidade de geração de renda. Segundo ele, o Sebrae atua para fortalecer esse ecossistema de forma cada vez mais inclusiva, promovendo políticas e ações contínuas de apoio ao pequeno negócio para todos.

A competitividade do estado, frequentemente reconhecida em rankings nacionais, contribui para esse cenário favorável. O ambiente regulatório, a infraestrutura e o capital humano qualificado são fatores que sustentam o desempenho superior dos empreendedores catarinenses.

Perspectivas para o futuro do empreendedorismo catarinense

Os dados apresentados pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC revelam um panorama majoritariamente positivo para o empreendedorismo em Santa Catarina. O perfil típico do empreendedor catarinense – homem branco, entre 40 e 59 anos, com escolaridade média ou superior, atuante no setor de serviços e com rendimento superior à média nacional – demonstra a maturidade do ecossistema empresarial local.

Contudo, os desafios identificados, especialmente relacionados à informalidade e à inclusão racial, requerem ações direcionadas. O trabalho conjunto entre instituições como o Sebrae, poder público e iniciativa privada será fundamental para promover um ambiente ainda mais inclusivo e diversificado.

A continuidade do crescimento do empreendedorismo catarinense dependerá da capacidade de manter os fatores que geram competitividade, ao mesmo tempo em que se promovem políticas que ampliem o acesso às oportunidades empreendedoras para todos os segmentos da população. O estado possui as condições necessárias para consolidar sua posição de liderança no empreendedorismo nacional, desde que mantenha o foco na inclusão e na sustentabilidade do desenvolvimento empresarial.

Referências

https://sc.agenciasebrae.com.br/economia-e-politica/empreendedores-catarinenses-tem-renda-38-maior-que-a-media-nacional-aponta-observatorio-de-negocios-do-sebrae-sc/

https://www.dieese.org.br/notadief/2023/notadief274empreendedoresNegros.pdf

https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sc/artigos/sebrae-delas-impulso-ao-empreendedorismo-feminino-em-sc,ca344e29613a7710VgnVCM1000004c00210aRCRD

https://www.rankingdecompetitividade.org.br/