A adoção da inteligência artificial no setor de Recursos Humanos brasileiro está mudando a dinâmica de trabalho, com 75% dos profissionais já utilizando essas ferramentas. Embora a automação de tarefas operacionais seja um avanço, ainda há um amplo espaço para aplicar a tecnologia de forma mais estratégica e ética. Este blogpost explora como a IA pode transformar processos de recrutamento, integração e gestão de talentos, destacando a importância de um equilíbrio entre eficiência e responsabilidade.

A inteligência artificial já se consolidou como uma realidade no dia a dia dos profissionais de Recursos Humanos brasileiros. O Censo do RH 2025, conduzido pela HR-tech WallJobs em parceria com a Faculdade ESEG, revela que 75% dos profissionais da área utilizam ferramentas de IA tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Este levantamento, que ouviu 525 profissionais de diferentes regiões e portes de empresa, oferece um panorama atual sobre como a tecnologia está sendo implementada no setor.

Os números demonstram que a adoção da IA no RH não é mais uma tendência futura, mas uma realidade presente. Apenas 3,6% dos entrevistados afirmam não utilizar nenhuma ferramenta de inteligência artificial, enquanto 14,6% concentram o uso exclusivamente no ambiente corporativo.

Apesar da ampla adoção, o estudo revela que 75% dos profissionais ainda concentram o uso da IA em atividades predominantemente operacionais. As principais aplicações incluem conferência de dados, triagem de currículos e automação de processos burocráticos básicos.

Esta abordagem operacional reflete um estágio inicial de maturidade na implementação da tecnologia. A IA está sendo utilizada principalmente para agilizar processos rotineiros, liberando tempo dos profissionais para outras atividades, mas ainda não alcançou seu potencial estratégico completo.

A automação de tarefas administrativas representa o primeiro passo na jornada de transformação digital do RH. Embora essencial, este uso básico da tecnologia indica que existe um vasto campo de oportunidades ainda inexplorado para aplicações mais sofisticadas.

No recrutamento e seleção, mais de 60% dos entrevistados consideram a IA essencial para acelerar a análise de currículos. Esta aplicação demonstra como a tecnologia pode otimizar processos que tradicionalmente demandavam muito tempo e recursos humanos.

Contudo, poucos profissionais associam o uso da IA à melhoria da experiência do candidato ou à redução de vieses nos processos seletivos. Esta lacuna indica que o potencial da tecnologia para criar processos mais justos e inclusivos ainda não está sendo plenamente explorado.

A eficiência operacional permanece como o principal driver da adoção da IA no recrutamento, superando considerações estratégicas sobre equidade e experiência do usuário. Esta abordagem limitada pode representar uma oportunidade perdida de criar processos seletivos mais robustos e imparciais.

As preocupações éticas ocupam lugar central nas discussões sobre IA no RH. O estudo revela que 57% dos profissionais acreditam que a tecnologia pode excluir perfis que não se enquadram nos padrões algorítmicos estabelecidos.

Esta preocupação reflete uma consciência crescente sobre os riscos de perpetuação de vieses através de algoritmos mal calibrados. A exclusão de candidatos qualificados devido a padrões algorítmicos rígidos pode resultar em perda de talentos e redução da diversidade organizacional.

A necessidade de governança, curadoria de dados e supervisão humana emerge como elemento fundamental para mitigar esses riscos. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre eficiência tecnológica e responsabilidade ética na tomada de decisões.

A IA está começando a expandir sua presença em áreas mais sensíveis e estratégicas do RH. No processo de integração e onboarding, 34% dos profissionais reconhecem o potencial da tecnologia para personalizar conteúdos e aumentar o engajamento de novos colaboradores.

Outros 24% identificam ganhos na aceleração da curva de produtividade dos novos funcionários, enquanto 17% destacam o uso de assistentes virtuais como suporte contínuo. Estas aplicações demonstram como a IA pode contribuir para uma experiência de integração mais eficiente e personalizada.

Na área de saúde mental, 27% dos entrevistados veem a IA como aliada na identificação precoce de sinais de sobrecarga e burnout. Esta aplicação representa uma evolução significativa no cuidado preventivo com o bem-estar dos colaboradores.

Para práticas ESG, 14% já utilizam a tecnologia para monitorar indicadores de diversidade e inclusão, enquanto 13% reconhecem sua contribuição para maior transparência em processos de promoção. Estas aplicações posicionam a IA como ferramenta estratégica para sustentabilidade organizacional.

Na gestão salarial, 49% dos profissionais utilizam IA para análise de benchmarks de mercado, demonstrando como a tecnologia pode apoiar decisões mais fundamentadas em dados. Esta aplicação permite uma compreensão mais precisa do posicionamento salarial da empresa em relação ao mercado.

Outros 19% citam a personalização de pacotes de remuneração como benefício da IA, enquanto 15% mencionam simulações automatizadas de políticas de bônus. Estas funcionalidades permitem maior sofisticação na estruturação de políticas de remuneração.

Apesar do apoio tecnológico, as decisões finais sobre remuneração continuam sendo tomadas por humanos. Esta abordagem híbrida garante que a sensibilidade e o julgamento humano permaneçam centrais em decisões que impactam diretamente a vida dos colaboradores.

A gestão de talentos e processos de desligamento revelam uma divisão clara de opiniões entre os profissionais. Enquanto 35% veem riscos na dependência excessiva de algoritmos, 27% destacam o valor dos modelos preditivos para antecipar possíveis desligamentos.

Esta divisão reflete a complexidade inerente à aplicação da IA em decisões que envolvem aspectos profundamente humanos. A análise preditiva pode oferecer insights valiosos sobre padrões de comportamento e performance, mas a interpretação desses dados requer sensibilidade humana.

Nas decisões de desligamento, o equilíbrio se mantém: 39% defendem que essas escolhas devem ser exclusivamente humanas, enquanto outros 39% reconhecem o valor da IA como apoio analítico. Esta paridade demonstra a necessidade de encontrar o ponto ideal entre eficiência analítica e responsabilidade humana.

A evolução da IA no RH sinaliza uma transformação de paradigma que vai além da simples automação de tarefas. O futuro aponta para uma integração mais sofisticada, onde a tecnologia potencializa as capacidades humanas ao invés de substituí-las.

Os profissionais de RH precisam desenvolver competências mais analíticas e estratégicas para aproveitar plenamente o potencial da IA. Esta evolução exige não apenas conhecimento técnico, mas também uma compreensão profunda dos aspectos éticos e humanos envolvidos na gestão de pessoas.

A transição do uso operacional para o estratégico da IA representa o próximo desafio para o RH brasileiro. Esta evolução demandará investimento em capacitação, desenvolvimento de políticas de governança e, sobretudo, uma abordagem que coloque o fator humano no centro das decisões tecnológicas.

Referências

https://mundorh.com.br/rh-adota-ia-mas-uso-segue-focado-em-tarefas-operacionais/