O empreendedorismo nas periferias de São Paulo está se consolidando como uma força transformadora, com iniciativas como a Emperifa, que conecta e empodera empreendedores locais. Com foco na colaboração e networking, essa metodologia tem promovido um crescimento significativo nos negócios, especialmente entre mulheres. O blogpost explora como o apoio estruturado pode transformar empreendimentos de subsistência em motores de impacto econômico e social.
O empreendedorismo nas periferias de São Paulo representa uma força econômica em constante crescimento, impulsionado pela necessidade, criatividade e resiliência dos moradores dessas regiões. Dados recentes mostram que as favelas respondem por 13% do empreendedorismo brasileiro, movimentando bilhões de reais anualmente e demonstrando o potencial transformador desses territórios.
Esse fenômeno surge de um contexto histórico de exclusão econômica, onde comunidades periféricas desenvolveram soluções próprias para geração de renda e desenvolvimento local. O empreendedorismo por necessidade, característica marcante dessas regiões, evoluiu para iniciativas mais estruturadas que combinam impacto social com sustentabilidade financeira.
A Emperifa emerge como um exemplo concreto dessa transformação. Fundada há sete anos por João Luiz Guedes, morador da Zona Leste de São Paulo, e Márcio Cardoso, ex-professor do Senac, a empresa nasceu da vivência pessoal de seus fundadores com o empreendedorismo periférico. Guedes cresceu observando familiares empreendendo por necessidade, desde tios com pequenas empresas até sua mãe vendendo produtos nas ruas.
A inspiração para criar a Emperifa veio dessa experiência de vida, combinada com o desejo de transformar o empreendedorismo de subsistência em algo mais estruturado e com maior potencial de crescimento. A parceria entre Guedes e Cardoso se consolidou durante o curso de audiovisual no Senac, onde compartilharam a visão de usar o empreendedorismo como ferramenta de transformação social.
Inicialmente concebida como projeto social do terceiro setor, a Emperifa passou por uma transformação estratégica importante. Os fundadores perceberam que as exigências legais e a necessidade de sustentabilidade financeira exigiam uma mudança de modelo. A decisão de se tornar uma empresa, em vez de ONG, permitiu maior flexibilidade operacional e capacidade de expansão.
O diferencial da Emperifa está na metodologia Reinpe (Rede Interempreendedora em Periferias), que vai além dos cursos tradicionais. O foco está na criação de conexões práticas entre empreendedores de diferentes regiões periféricas, promovendo networking que resulta em negócios reais. Esta abordagem reconhece que empreendedores periféricos carecem principalmente de conexões estratégicas.
A metodologia privilegia vivências práticas sobre teoria, organizando encontros onde empreendedores podem formar parcerias, criar sociedades, acessar novos mercados e realizar compras coletivas com fornecedores comuns. Esse modelo de economia criativa gera resultados mensuráveis: aumento nas vendas, crescimento da renda mensal, digitalização dos negócios e melhorias operacionais.
Os resultados alcançados pela Emperifa demonstram o potencial de impacto do empreendedorismo periférico estruturado. A empresa já impactou cerca de 2 mil empresários, sendo 90% mulheres, evidenciando o protagonismo feminino no empreendedorismo das periferias de São Paulo. Esse dado reflete uma tendência nacional, onde as mulheres lideram grande parte dos negócios periféricos.
As pesquisas realizadas pela própria Emperifa mostram melhorias significativas nos negócios atendidos: aumento nas vendas, crescimento da renda mensal dos empreendedores, maior digitalização dos processos e aprimoramentos operacionais diversos. Esses indicadores demonstram que o apoio estruturado pode transformar negócios de subsistência em empreendimentos mais sustentáveis.
A Emperifa desenvolve ainda serviços de cocriação com empresas interessadas em fortalecer suas diretrizes ESG através do investimento social nas periferias. Essa parceria com fundações e ONGs estrutura projetos de impacto social que beneficiam tanto as empresas parceiras quanto as comunidades atendidas.
O modelo de cocriação abrange aspectos sociais, de governança e ambientais, oferecendo às empresas parceiras um caminho concreto para gerar impacto real em suas ações de responsabilidade social. Essa abordagem reconhece que o investimento social e os negócios de impacto representam oportunidades estratégicas para o desenvolvimento das periferias.
Apesar dos avanços, empreendedores periféricos ainda enfrentam obstáculos significativos. A falta de acesso a crédito, burocracias excessivas e limitações de networking representam barreiras constantes. Entretanto, iniciativas como o Sebrae têm intensificado programas específicos para essas regiões, oferecendo cursos, consultorias e apoio técnico adaptados às realidades locais.
As oportunidades de crescimento são expressivas. O potencial econômico das periferias, quando adequadamente apoiado, pode gerar transformações importantes tanto localmente quanto na economia paulista como um todo. A digitalização crescente dos negócios periféricos amplia possibilidades de mercado e profissionalização.
O futuro do empreendedorismo nas periferias de São Paulo depende da consolidação de iniciativas como a Emperifa e da ampliação de parcerias estratégicas. A visão da empresa de se tornar autoridade nacional em atuação em rede nas periferias representa um caminho promissor para a dignidade e inclusão produtiva.
A experiência da Emperifa demonstra que o empreendedorismo periférico, quando adequadamente estruturado e conectado, pode transcender a lógica da subsistência e gerar impacto econômico e social significativo. O modelo de rede interempreendedora nas periferias oferece um caminho sustentável para o desenvolvimento econômico dessas regiões.
Para empresas e investidores interessados em impacto social, o apoio ao empreendedorismo periférico representa uma oportunidade de gerar transformações reais enquanto fortalecem suas estratégias de sustentabilidade. O crescimento desse setor beneficia não apenas as comunidades atendidas, mas contribui para o desenvolvimento econômico mais amplo e inclusivo da região metropolitana de São Paulo.
Referências
https://gife.org.br/investimento-social-e-negocios-de-impacto-a-hora-e-a-vez-das-periferias/